A corrida da inteligência artificial tem um ingresso caro, e o Alibaba (BABA) decidiu dividir a conta com novos investidores. A gigante chinesa levantou HK$ 80 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 10,2 bilhões, por meio de uma colocação de novas ações em Hong Kong.
Segundo o comunicado publicado no site de Relações com Investidores do Alibaba, foram emitidas 710 milhões de ações ordinárias pelo preço unitário de HK$ 112,70. Os papéis foram destinados a investidores profissionais e institucionais de fora dos Estados Unidos, e a conclusão da operação está prevista para 26 de agosto.
A transação representa a maior oferta subsequente de ações já realizada por uma empresa listada em Hong Kong e a terceira maior do mundo em 2026, atrás apenas das operações conduzidas por Alphabet e Intel, conforme informações da Reuters.
Inteligência artificial ficará com todo o dinheiro
O Alibaba informou que destinará 100% dos recursos líquidos à ampliação de suas capacidades completas de inteligência artificial. O dinheiro será aplicado principalmente em infraestrutura computacional, incluindo chips, data centers, serviços de nuvem e desenvolvimento de modelos.
A captação reforça um plano anunciado anteriormente pela companhia para investir pelo menos 380 bilhões de yuans, cerca de US$ 56,5 bilhões, em IA e computação em nuvem durante três anos. Na apresentação dos resultados trimestrais mais recentes, o grupo informou que já havia utilizado quase metade desse orçamento.
O Alibaba Cloud também inaugurou recentemente seu terceiro data center na Coreia do Sul. Com a expansão, a divisão passou a operar 104 zonas de disponibilidade distribuídas por 30 regiões.
A companhia estima que os investimentos em capacidade computacional voltada à IA poderão apresentar retorno entre dois anos e meio e três anos. A previsão foi antecipada diante do crescimento da procura por serviços de inteligência artificial oferecidos pela nuvem do grupo.
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Oferta dilui acionistas do Alibaba
Para quem já possuía ações, a operação produz um efeito imediato: a diluição. Os 710 milhões de novos papéis representam aproximadamente 3,6% do capital social ampliado do Alibaba.
Além disso, o preço da colocação ficou 8,4% abaixo do último fechamento das ações em Hong Kong. A combinação entre desconto, diluição e preocupação com os gastos de capital provocou uma reação negativa no mercado. Os papéis recuaram 8% no pregão de 24 de agosto e chegaram a cair 10% durante a sessão.
A cautela também reflete os resultados recentes. O lucro líquido trimestral do Alibaba diminuiu 75% na comparação anual, pressionado principalmente pelo aumento das despesas relacionadas à IA. Ao mesmo tempo, a demanda institucional pela oferta foi forte, indicando que parte dos investidores aceita a pressão de curto prazo em troca de uma participação na estratégia tecnológica do grupo.
O desafio será transformar data centers, chips e modelos de IA em receitas capazes de compensar a diluição e os investimentos elevados. Ao avaliar a captação do Alibaba (BABA), Charles Wang, presidente da Shenzhen Dragon Pacific Capital Management, resumiu os dois lados da aposta em inteligência artificial: “É uma notícia negativa no curto prazo, porque a colocação dilui a participação dos acionistas. Além disso, os investidores geralmente não gostam dos gastos de capital, embora o investimento seja benéfico no longo prazo”.
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