Setembro chega à Bolsa com eleição presidencial cada vez mais perto, juros ainda elevados e tensões externas ajudando a embaralhar as expectativas. Em meio a esse cenário, as principais casas de análise atualizaram suas ações recomendadas para o mês e, mesmo com estratégias diferentes, uma velha conhecida do investidor voltou a se destacar: a Petrobras (PETR4).
A petroleira lidera o levantamento feito com as carteiras de BTG Pactual, BB Investimentos, Safra, Ágora Investimentos, Genial e Andbank. Logo atrás aparecem Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3), enquanto Axia Energia (AXIA3), Embraer (EMBJ3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Vibra Energia (VBBR3) também figuram entre os nomes mais recorrentes.
O desenho das carteiras mostra ainda uma preferência por energia, commodities e empresas consideradas mais resilientes, enquanto as casas tentam equilibrar oportunidades domésticas com alguma proteção para um período que promete maior volatilidade.
Petrobras lidera as ações recomendadas para setembro
No cruzamento das seis carteiras, a Petrobras ficou isolada na liderança das indicações. Gerdau e Vale aparecem empatadas na segunda colocação.
O ranking das empresas mais recomendadas ficou assim:
- Petrobras (PETR4)
- Gerdau (GGBR4)
- Vale (VALE3)
- Axia Energia (AXIA3)
- Embraer (EMBJ3)
- Itaú Unibanco (ITUB4)
- Vibra Energia (VBBR3)
Com duas recomendações aparecem BB Seguridade (BBSE3), BTG Pactual (BPAC11), Caixa Seguridade (CXSE3), Copel (CPLE3), Direcional (DIRR3), Eneva (ENEV3), Rede D’Or (RDOR3) e Sabesp (SBSP3).
Além de liderar em número de indicações, Petrobras recebe o maior peso individual da carteira 10SIM do BTG Pactual, com 15%. Para o banco, a companhia continua oferecendo uma combinação de desempenho operacional robusto e capacidade de capturar preços mais elevados dos combustíveis.
A casa estima dividend yield de aproximadamente 9% para 2027 em seu cenário-base e mantém recomendação de compra para PETR4.
Gerdau e Vale correm logo atrás
Se Petrobras abriu vantagem, Gerdau e Vale disputam a segunda posição, com quatro recomendações cada.
A Gerdau está nas seleções de BTG, BB Investimentos, Safra e Genial. O BTG destaca que cerca de 75% do Ebitda da siderúrgica está exposto aos Estados Unidos, característica que pode funcionar como proteção cambial em meio à incerteza eleitoral brasileira.
“Gerdau oferece proteção cambial relevante em meio a um cenário eleitoral brasileiro incerto”, afirma o BTG. A casa também destaca o momento positivo dos lucros e o valuation do papel.
Já a Vale aparece nas carteiras de BB Investimentos, Safra, Ágora e Andbank. Para o Andbank, o resultado do segundo trimestre ficou acima das expectativas, impulsionado pelos maiores volumes de minério de ferro e níquel e pela melhora operacional.
A casa também chama atenção para a geração de caixa da mineradora, além do anúncio de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio e de um novo programa de recompra de ações.
Energia ganha espaço nas carteiras
A liderança da Petrobras faz parte de uma presença mais ampla de empresas ligadas a energia e serviços básicos nas seleções de setembro. Além da estatal, aparecem Vibra, Axia, Eneva, Copel, CPFL (CPFE3), Equatorial (EQTL3), Sabesp e Isa Energia (ISAE4).
No BTG, metade da carteira 10SIM está concentrada em serviços básicos, infraestrutura e empresas com fluxos de caixa de longa duração. A estratégia inclui Axia, Eneva, Sabesp, Motiva (MOTV3) e Rede D’Or. Embraer e Gerdau, consideradas teses ligadas ao câmbio, representam outros 20%.
A ideia é preparar a carteira para diferentes cenários. Uma melhora das contas fiscais e a redução dos juros de longo prazo poderiam favorecer empresas domésticas mais sensíveis às taxas. Se a situação caminhar na direção contrária, o BTG considera que a exposição ao câmbio e à Petrobras pode oferecer proteção.
No Andbank, a Carteira Meta para setembro reúne BB Seguridade, Bradesco (BBDC4), Copel, CPFL, Embraer, Itaú, Itaúsa (ITSA4), Rede D’Or, Suzano (SUZB3) e Vale, todas com peso de 10%.
A seleção tem potencial de valorização estimado em 23,57%. Suzano apresenta o maior potencial individual, de 42,24%, seguida por Rede D’Or, com 38,16%, e Bradesco, com 31,70%.
Eleições aumentam a cautela para setembro
As escolhas também refletem um risco que tende a ganhar cada vez mais espaço nas mesas de investimento: a eleição presidencial.“Os mercados devem permanecer voláteis”, afirma o Andbank. Com os candidatos oficiais definidos, a instituição espera que as pesquisas eleitorais passem a exercer impacto crescente sobre os mercados até a votação.
O cenário ainda inclui inflação e juros domésticos elevados, decisões de política monetária nos Estados Unidos e as consequências do conflito entre EUA e Irã.
O Safra também reforçou a proteção da carteira diante da volatilidade eleitoral e dos riscos para o crédito doméstico, enquanto o BTG mantém uma estratégia que procura equilibrar ações sensíveis à queda dos juros com companhias expostas ao câmbio.
Mesmo com estratégias diferentes, o consenso deixa algumas pistas para setembro. Petrobras permanece isolada na liderança, Gerdau e Vale dividem a segunda colocação e energia mantém presença relevante nas carteiras. Entre as ações recomendadas, as casas parecem buscar justamente uma combinação entre potencial de valorização e proteção para atravessar um mês que promete volatilidade.
Notícias Relacionadas
